sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Introdução & Explicação

É importante não desprezar a culinária ou o james olivier. A cozinha tem um velho namoro com a filosofia e a estória da cadeira é pródiga em exemplos disso. Sócrates, na sua sherlockholmice da verdade, usava não raro o exemplo da arte do ratinho remy para desmontar argumentar alheios e construir os próprios, brincando assim feliz aos legos com a verdade. Platão escreveu sobre um banquete em que nunca esteve e eu estou agora a ler-estudar em grego (e garanto que há comida e bebida, mas não sei se chega para todos). Pitágoras que tinha netos a caminho de siracusa morreu em frente a um campo de favas que se recusou a atravessar (tinha votado não no referendo e as favas descascadas lembram embriões humanos). A máxima délfica de Sólon do μηδὲν ἄγαν deriva directamente das indigestões e Descartes, com fome, comparava os nossos conhecimentos a maçãs (e dizia que era preciso esvaziar o cesto-cabeça delas todas todas todinhas, porque uma só, podre, carunchava sozinha o resto). Newton, por causa de uma maçã, ganhou um galo na cabeça (um cocorocó, de facto, alimenta mais). E Hegel confessava que, a seguir a Napoleão, a melhor coisa do mundo eram os croissants franceses (obviamente, não conhecia os cookies ingleses). O filosófo é constantemente chamado à realidade pelo houston do seu estômago e interrompe assim apressado o ramadão de pensar. Sabedoria, de resto, vem do verbo sapio, em latim (as palavras latinas são membras honorárias da associação de famílias numerosas), que significava saborear. O elo mais importante no diálogo dos dois saberes, porém, é o senso-comum de que a Filosofia não dá de comer a ninguém.

(segredo: a Filosofia é alimento* - do pensamento)
*alimento pesado, como uma feijoada ou um cozido.
(onde estão os croissants de pensar?)

~imagem: o pensador de rodin leva a mão à boca para comer~

1 comentário:

Mi disse...

Eu vinha mesmo só para dizer que és louco, mas lá acabei por ler... e, como que por magia, a frase alterou-se para: sou a tua maior fã, quando for grande quero ser quase como tu, mas sempre um bocadinho menos, para que jamais corra risco de extinção esta minha admiração e este meu fascínio por ti!